O orçamento de 2027 está sendo discutido desde julho. Pela primeira vez, boa parte das empresas está incluindo uma linha que não existia da mesma forma há dois ciclos: investimento em inteligência artificial dentro da própria função financeira.
O tamanho do investimento que está sendo decidido agora
A Gartner, numa pesquisa com mais de 300 CFOs publicada em fevereiro deste ano, encontrou que quase 60% deles planejam aumentar o investimento em IA na função financeira em 10% ou mais em 2026. Outros 24% esperam um aumento entre 4% e 9%. A decisão sobre essa linha nova já está em andamento, dentro do mesmo processo que está definindo o resto do orçamento de 2027.
O aviso que já aconteceu, em público
Em abril, a Uber confirmou que tinha esgotado o orçamento inteiro de IA de 2026 em quatro meses, por causa de custo de token com uso intensivo de modelo. O COO da empresa passou a questionar publicamente se o retorno justificava o gasto. O fenômeno já tem nome, tokenmaxxing, usar o modelo mais caro disponível pra tarefa mais simples só porque a ferramenta está ali. A Zylo, empresa especializada em gestão de gasto com software, encontrou em pesquisa recente que 78% dos líderes de TI já tiveram conta de IA muito acima do esperado por causa de cobrança por consumo.
Por que isso não é argumento contra IA
O investimento em IA é real, relevante e provavelmente vai crescer do jeito que a Gartner projeta. O problema nunca foi o investimento em si. É pagar pelo carro mais rápido do mercado e rodar ele numa estrada de terra. A Ferrari não perde a qualidade dela, mas também não entrega nada perto do que promete se a estrada não aguenta a velocidade. IA sem um processo estruturado para acompanhar o consumo, resultados e ajustes ao longo do ano é exatamente isso, capacidade cara rodando sobre uma base que não tira proveito dela.
O que essa linha nova exige, igual qualquer outra
Uma linha de orçamento sem dono definido, sem limite de consumo monitorado e sem retorno medido depois de implementada, morre do mesmo jeito que qualquer forecast sem dono morre, como já vimos aqui semanas atrás. Com IA, o risco de aprovar um investimento sem essas três coisas é maior, porque o custo é medido em consumo contínuo, não em parcela fixa, e sobe sem avisar até alguém abrir a fatura, do jeito que aconteceu com a Uber.
A pergunta que abre agosto: a linha de IA que está entrando no orçamento de 2027 da sua empresa já tem dono, limite de consumo e forma de medir retorno definidos, ou a estrada ainda não está pronta pra essa velocidade?
Referências
Gartner, pesquisa com mais de 300 CFOs sobre investimento em IA na função financeira para 2026, publicada em fevereiro de 2026: gartner.com
Fortune, reportagem sobre o esgotamento do orçamento de IA de 2026 da Uber em quatro meses: fortune.com
Zylo, pesquisa sobre cobrança inesperada em modelos de consumo de IA entre líderes de TI: zylo.com
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